5 pilares da governança em acolhimentos para crianças e adolescentes

Transformando boas intenções em resultados concretos

Por Valéria Gerolamo*

No artigo “Governança no terceiro setor, sim!”, discutimos porque uma gestão eficiente é essencial para ONGs que têm serviço(s) de acolhimento integral (Saicas). Neste, vamos explorar como colocar esses princípios em prática, transformando boas intenções em resultados concretos.

Não basta reconhecer a importância de uma gestão eficiente – é preciso agir para que a organização funcione com excelência, garantindo o melhor atendimento possível às crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade. Sugerimos, então, estas cinco práticas já adotadas na Casa da Criança e do Adolescente de Santo Amaro (CCASA).

1 Missão, visão e valores bem definidos

  • Todos na equipe devem conhecer e se comprometer com o propósito da instituição. Na CCASA, por exemplo, o foco é o atendimento 360 graus, garantindo que cada criança receba suporte integral.

2 Gestão financeira transparente e sustentável

  • Diversificar as fontes de recursos (doações de pessoas físicas e jurídicas, eventos, serviços pro bono, projetos incentivados etc.).
  • Prestar contas de forma clara aos doadores e órgãos fiscalizadores.

3 Conselho gestor atuante e profissionalizado

  • Ter um conselho diversificado – com especialistas em assistência social, direito, gestão etc.
  • Realizar auditorias periódicas para avaliar a saúde financeira e operacional.

4 Gestão de pessoas com propósito

  • Promover capacitação contínua.
  • Valorizar a equipe para manter a motivação e reduzir turnover.

5 Avaliação de impacto social

  • Medir não apenas quantas crianças são atendidas, mas como suas vidas estão mudando. Exemplos: melhoria no desempenho escolar, redução de crises emocionais, reintegração familiar bem-sucedida.

Desafios e como superá-los

Implementar uma governança robusta não é fácil. Eis alguns obstáculos comuns:

  • Falta de recursos– Solução: buscar parcerias estratégicas e capacitar a equipe em captação.
  • Resistência à mudança– Solução: envolver toda a equipe no processo, mostrando os benefícios.
  • Dificuldade em mensurar resultados– Solução: criar indicadores simples, como evolução escolar, desacolhimento para família e índice de empregabilidade para os adolescentes.

Enfim, governança não é burocracia – é a estrutura que permite transformar vidas. Quando uma ONG de acolhimento infantil implementa processos claros, capacita sua equipe adota uma gestão transparente, ela não apenas sobrevive, mas se torna referência em impacto social.

O que importa é isto: garantir que cada criança e adolescente atendido tenha a oportunidade de um recomeço digno e feliz.

 

*Valéria Gerolamo é Gerente Geral da CCASA, como como foco a gestão estratégica e operacional. Atua também como conselheira no Inspire, contribuindo com sua experiência em governança e impacto social. Sua sólida trajetória em marketing e vendas – trabalhou na P&G, Eccelera e Duplo Efeito – alia visão empresarial à gestão do terceiro setor.

Deixe um comentário