A importância de falar dos sentimentos e de chorar

Seguimos com o setembro amarelo: dinâmica para trabalhar a prevenção do suicídio em acolhimento institucional

Por Brenna Laís da Silva*

Muitas pessoas guardam seus sentimentos como se fossem segredos. Fingem que está tudo bem, mesmo quando por dentro há cansaço, medo, tristeza, mágoa…

Quando engolimos nossas emoções, aos poucos o peso delas cresce dentro de nós, deixando-nos ansiosos, irritados ou até doentes.

Falar sobre o que sentimos é uma forma de cuidar de nós mesmos. É como abrir uma janela para que o ar circule dentro da gente. Ao colocarmos em palavras o que nos incomoda, entristece, amedronta…, damos espaço para que outros nos ouçam, ofereçam apoio e nos ajudem a enxergar caminhos que sozinhos não vislumbraríamos.

E quanto ao choro? Ele não é sinal de fraqueza, mas de coragem. É uma linguagem do corpo para expressar aquilo que a fala, muitas vezes, não consegue. Ele alivia, limpa e traz leveza. Depois de chorar, geralmente sentimos que tiramos um peso do peito.

Para incentivar crianças e adolescentes em situação de acolhimento a falar de seus sentimos e se permitir chorar quando necessário, a equipe técnica de um dos Saicas mantidos pela CCASA propôs a seguinte dinâmica simples e efetiva.

Dinâmica

  • Exibição do curta metragem de cerca de 6 minutos “O menino que engoliu o choro”, disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=M4anTW9AUrQ pra sensibilização
  • Entrega papel em branco e lápis ou caneta para os participantes
  • Pede-se que cada um escreva um sentimento que está guardado: alegria, tristeza, raiva, gratidão, medo, bem-estar, saudade, inveja, ansiedade, entusiasmo, culpa, satisfação…
  • Os que desejarem, podem compartilhar com o grupo algo que escreveu.
  • Em seguida, os participantes, mesmo aqueles que não quiseram falar, depositam o papel no qual escreveram seus sentimentos em uma caixa. Depositar o papel na caixa simboliza tirar de dentro de si esse sentimento.
  • Lança-se a seguinte pergunta para discussão: Como foi escrever sobre, falar sobre ou simplesmente reconhecer esse sentimento?
  • As seguintes frases são ditas pelo mediador para reflexão:
  • Falar sobre o que sentimos e permitir que as lágrimas saiam quando for necessário é um ato de amor-próprio.
  • Ninguém precisa carregar tudo sozinho. Quando dividimos nossas emoções, criamos laços mais fortes, aprendemos a confiar e descobrimos que ser humano é, justamente, sentir.
  • Para finalizar a dinâmica, os participantes recortam frases de apoio para que sejam colocadas em uma caixa intitulada “Setembro Amarelo”. Essa caixa com as frases fica à disposição de todos que precisarem acessá-la.

 

*Brenna Laís da Silva – psicóloga com especialização em Psicologia Social e pós-graduada em Políticas Públicas – é gestora do Saica 2 mantido pela CCASA

Este post tem um comentário

  1. Carol Romagnoli

    Importante e muito bom trabalho vocês desevolveram. Termos percepção e gerarmos aceitação de nossos sentimentos, e de nossas partes interiores diversas é vital.

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