Empolgue-se com a gente com o relato sobre a evolução de uma acolhida
Há cerca de 12 meses, Paula, então com 11 anos, chegou em uma de nossas unidades de acolhimento. Ficamos preocupados com seu estado de saúde: glicose e colesterol estavam elevados e o fígado acumulava gordura por conta de uma alimentação extremamente restrita, que acarretou sobrepeso. Nada de frutas, verduras ou legumes.
Além disso, havia um histórico de depressão e dificuldades na aprendizagem. “Não presta atenção”, “Não aprende” e “Não consegue realizar as atividades propostas” eram falas que a equipe técnica ouvia da escola. Quando perguntada sobre seus sonhos, Paula não tinha qualquer perspectiva de futuro.
Como poderíamos atuar para superar ou mitigar tais dificuldades? Como encontrar o potencial ali adormecido?
Construímos (assistente social, gestor, pedagogo e psicólogo do Saica) um plano para introduzir paulatinamente novos hábitos. Formulamos estratégias para ampliar o repertório alimentar – inserir abóbora no feijão, por exemplo –, e criamos oportunidades para movimento – caminhadas noturnas pelo bairro, atividades na pracinha utilizando aparelhos, futebol, corda e cama elástica (ganhamos de uma empresa parceira).
No campo pedagógico, o projeto em curso “Oficinas lúdicas: aprendizagem e diversão”, por meio do qual acolhidos participam de três sessões semanais conduzidas por consultoria psicopedagógica especializada, tem contribuído de forma significativa para Paula deslanchar. Além disso, um apoiador da CCASA está custeando uma bolsa de reforço escolar para ela.
Os resultados mostram que é possível transformar vidas, reescrever futuros
Paula perdeu peso, sua glicose e colesterol não estão mais alterados e a gordura no fígado reduziu. O processo para perda de peso segue, mas os riscos não são mais alarmantes.
Ela também se organizou em seu espaço e rotina, consegue verbalizar seus incômodos e começou a sonhar! A menina hoje conta sobre seu desejo de trabalhar com tecnologia da informação e consertar computadores.
As atividades físicas continuam. Ela ainda reclama, como qualquer criança, mas agora compreende a importância de cuidar de sua saúde.
Em reunião com a escola, no lugar de falas que apontavam apenas dificuldades, elogios: é reconhecida como uma aluna dedicada, esforçada e em constante evolução.
Seguimos transformando vidas e rescrevendo futuros de centenas de crianças e adolescentes em situação de risco social!
*O nome foi alterado para salvaguardar a acolhida