Thalyta Duarte, ex-acolhida, retorna ao Saica 1 como assistente social
A trajetória de Thalyta Duarte, membro da equipe técnica do Saica 1 na função de assistente social, inspira e encoraja os adolescentes a assumir o protagonismo da própria vida.
A estudante de 26 anos – ela está na reta final de uma pós-graduação em Gestão Pública e em breve inicia outra em Saúde Coletiva – foi acolhida na Casa da Criança e do Adolescente de Santo Amaro (CCASA) dos 14 anos até completar 18. “Thalyta sempre deu importância aos estudos, lia muito”, conta Rosangela de Jesus, gestora do Saica 1. A agora assistente social conta:
Comecei a trabalhar aos 15 anos como Jovem Aprendiz em decorrência da participação no Projeto ViraVida, do Sesi. Em seguida, atuei como recepcionista e, na sequência, fui para a Ituran Brasil por conta de uma oportunidade que se abriu a partir da CCASA.
Com minha nota do Enem, ingressei em uma universidade estadual em Minas Gerais para cursar Serviço Social. Pedi demissão e para lá fui com os recursos da rescisão, do seguro-desemprego e de economias, mas veio a pandemia e tive de regressar para São Paulo, recomeçar.
Arrumei trabalho de novo, reiniciei o curso de Serviço Social na Unisa com bolsa integral do ProUni, mas quase desisti da universidade quando precisei conseguir estágios na área. Mais uma vez, contei com a rede de apoio que construí na CCASA: a Rosangela me estimulou a prosseguir, e traçamos um plano para eu cumprir os estágios no Saica 1. Confesso que não foi um processo fácil o de voltar ao acolhimento depois da saída mandatória aos 18 anos.
Aí surgiu uma vaga para atuar como orientadora socioeducativa no Saica 3 da CCASA. Agarrei. Hoje, exerço a função para a qual me preparei, sou assistente social no Saica 1. A meta de trabalhar em minha área foi cumprida, bem como a de ter uma moradia própria. Hoje sonho com outras coisas que o trabalho pode me proporcionar: um carro e viajar, por exemplo.
Moro com meu noivo, continuo lendo, saio com minhas amigas, curto assistir a uma boa série e fazer trabalhos manuais. O que eu diria para um adolescente, para um jovem? Estude, trabalhe, guarde dinheiro, aproveite as oportunidades que a vida oferece, não permita que as dificuldades determinem a sua história. Especificamente para os que estão em situação de acolhimento, eu diria: crie vínculos de confiança com a equipe.
Thalyta Duarte é prata da casa. Que orgulho temos!