Há jovens que, ao sair do acolhimento institucional, enfrentam o mundo sem nenhum tipo de apoio
Por Valéria Gerolamo*
Ao completar 18 anos, muitos jovens celebram a chegada da maioridade com entusiasmo. Esse aniversário estaria associado a ter mais liberdade, entrar na faculdade, obter a carteira de habilitação e o mais reconfortante, iniciar a vida adulta com apoio familiar. E para quem vive em um acolhimento institucional? A realidade é dura para boa parte deles: o final da 17ª volta ao redor do sol pode marcar o início de uma luta solitária por sobrevivência.
Por lei, ao completar 18 anos, quem está em situação de acolhimento institucional deve deixar o Saica ou a Casa Lar onde mora. Isso significa, em muitos casos, sair para o mundo sem uma rede de apoio, sem casa, sem orientação – apenas com uma mochila e uma coragem que em muitos casos camufla o medo.
Em um sistema que nem sempre prepara esses adolescentes para a vida prática, muitos ex-acolhidos não têm uma fonte de renda, não sabem lidar com questões burocráticas, não têm onde morar, nem têm um adulto de confiança a quem pedir conselhos. Algo tão simples como ler e compreender um contrato de trabalho, fazer um currículo ou pagar uma conta pode se tornar um verdadeiro desafio.
Na Casa da Criança e do Adolescente Santo Amaro (CCASA), estamos plenamente conscientes desse cenário. Por isso, trabalhamos diuturnamente para minimizar o impacto dessa transição.
- Procuramos parcerias com empresas para oferecer o primeiro emprego.
- Realizamos projetos como o Construtores do Amanhã.
- Promovemos pontes com escolas e centros de formação.
- Apoiamos o programa de padrinhos e madrinhas afetivos, pessoas que oferecem suporte emocional e orientação pessoal aos jovens.
- Oferecemos, com o apoio de empresas parceiras, workshops e vivências que preparam para o ingresso no mercado de trabalho.
Como escrito, não fazemos isso sozinhos. Precisamos de mais empresas abrindo portas, de mais cidadãos dispostos a se envolver, de mais oportunidades concretas que viabilizem a construção de um futuro digno a esses jovens.
Investir em um jovem que saiu de acolhimento institucional é um ato de humanidade e de responsabilidade social. É propiciar um futuro mais justo, solidário e esperançoso.
Se você tem conexões em uma ou mais empresas, conhece uma escola ou deseja ser madrinha ou padrinho afetivo, junte-se a nós nessa missão. Porque ninguém deveria enfrentar o mundo sozinho aos 18 anos.
*Valéria Gerolamo é Gerente Geral da CCASA, como como foco a gestão estratégica e operacional. Atua também como conselheira no Inspire, contribuindo com sua experiência em governança e impacto social. Sua sólida trajetória em marketing e vendas – trabalhou na P&G, Eccelera e Duplo Efeito – alia visão empresarial à gestão do terceiro setor.